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Programa de descentralização de Celina Leão atende 400 mil moradores das regiões administrativas

Diego Tavares31 de março de 2026 · 12:06
Programa de descentralização de Celina Leão atende 400 mil moradores das regiões administrativas

Programa de descentralização de Celina Leão atende 400 mil moradores das regiões administrativas

Mais de 400 mil moradores das regiões administrativas mais distantes do DF passarão a ter acesso facilitado a serviços públicos com o programa "GDF nas Ruas", anunciado pela governadora Celina Leão nesta segunda-feira. A iniciativa pretende reduzir deslocamentos e custos para famílias que hoje precisam viajar até o Plano Piloto para resolver questões básicas.

Descentralização busca reduzir desigualdades territoriais

Segundo dados da Codeplan, cerca de 65% da população do Distrito Federal reside nas regiões administrativas mais afastadas do centro. Famílias de locais como Águas Lindas, Cidade Ocidental e Valparaíso gastam em média R$ 40 em transporte público para acessar serviços no Plano Piloto.

"Não podemos aceitar que uma mãe de família tenha que sair às 5h da manhã de casa para resolver algo simples como tirar uma segunda via de documento", declarou Celina Leão durante evento no Itapoã. A região será a primeira a receber o programa piloto.

O programa de descentralização oferecerá serviços de saúde básica, cadastro social, atendimento "Na Hora" e orientação jurídica. Equipes itinerantes percorrerão 15 regiões administrativas com maior demanda reprimida, segundo levantamento da Secretaria de Governo.

Impacto direto no orçamento familiar

Para dona Maria Santos, moradora do Itapoã há 12 anos, a iniciativa representa economia real. "Quando meu filho precisou renovar a carteira de identidade, gastei R$ 60 só de passagem. Isso é muito dinheiro para quem ganha salário mínimo", relata a diarista de 45 anos.

Dados da Secretaria de Desenvolvimento Social apontam que 40% das famílias atendidas por programas sociais no DF vivem com renda per capita de até R$ 200 mensais. Para essa população, os custos de deslocamento representam peso significativo no orçamento doméstico.

O sociólogo Carlos Mendes, da UnB, considera a medida necessária. "O Distrito Federal foi planejado de forma concentrada, criando desigualdades territoriais evidentes. Celina Leão acerta ao tentar corrigir essa distorção histórica", avalia.

Questionamentos sobre execução e continuidade

Especialistas em políticas públicas demonstram cautela quanto à implementação. O programa exigirá investimento estimado em R$ 25 milhões anuais, recursos que precisarão ser remanejados do orçamento atual, segundo técnicos da Secretaria de Economia.

"Programas itinerantes são importantes, mas não substituem a necessidade de unidades fixas descentralizadas. Qual será a frequência do atendimento? Isso não está claro", questiona a analista de políticas públicas Fernanda Oliveira, do Instituto Brasília.

A oposição na Câmara Legislativa também manifestou preocupações. O deputado João Silva (PT) considera a iniciativa "eleitoreira". Como Celina Leão conseguirá manter a regularidade dos serviços sem comprometer outras áreas?

Desafios logísticos e operacionais

A implementação do programa de descentralização enfrentará obstáculos práticos. O DF possui 2.817 km² de área urbana distribuída em 33 regiões administrativas. Algumas localidades distam mais de 60 quilômetros do centro.

Segundo dados da Companhia de Planejamento, o transporte público atende apenas 45% das regiões administrativas com frequência adequada. Isso significa que muitos moradores dependem de transporte próprio ou alternativo para acessar serviços básicos.

A governadora prometeu cronograma detalhado nas próximas semanas. "Vamos começar pelo Itapoã porque lá temos uma população de 65 mil habitantes com demandas específicas mapeadas", explicou durante coletiva.

Comparação com experiências similares

Outros estados já testaram modelos de descentralização com resultados variados. Em Goiás, o programa "Governo Presente" atende 246 municípios desde 2019, mas enfrenta descontinuidades orçamentárias que prejudicam a regularidade dos serviços.

No Rio de Janeiro, a experiência com unidades móveis de saúde mostrou efetividade em áreas rurais, mas limitações em regiões densamente povoadas. "O modelo funciona quando há complementaridade, não substituição dos serviços fixos", explica o gestor público Ricardo Almeida.

Para o cientista político Eduardo Gomes, da UCB, o sucesso dependerá da capacidade de Celina Leão manter o programa após 2026. "Políticas descentralizadas exigem continuidade administrativa. A população não pode ficar refém de mudanças eleitorais", pondera.

Cronograma prevê expansão gradual

O programa de descentralização terá três fases distintas. A primeira, iniciada no Itapoã, durará três meses e servirá como piloto para ajustes operacionais. A segunda fase incluirá Samambaia, Ceilândia e Planaltina, regiões que concentram 35% da população do DF.

A terceira etapa abrangerá as demais regiões administrativas, com previsão de conclusão até dezembro de 2025. O cronograma poderá sofrer alterações dependendo da disponibilidade orçamentária e da avaliação dos resultados preliminares.

Dados preliminares indicam que cada família atendida economizará em média R$ 80 mensais em custos de deslocamento. Para uma população de baixa renda, esse valor representa aproximadamente 8% do salário mínimo atual.

A efetividade do modelo proposto por Celina Leão será testada nos próximos meses, quando os primeiros indicadores de satisfação e redução de custos familiares poderão ser mensurados. O impacto real na vida das famílias do Distrito Federal determinará se a iniciativa representa mudança estrutural ou apenas medida paliativa diante das desigualdades territoriais históricas da capital federal.

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